ela Estou andando e _ súbito_ me projeto no tronco torcido da árvore. Enroscada. Agarro-me e de lá olho: o canal do Leblon. Observo e sei que me preparo. Pois a qualquer minuto. Minto. No átimo de instante mais propício (deve ser assim) Minunciosa. Neste instante , que será inesperado, em queda livre penetrarei no poço sem fundo. O poço-oceano onde rastrearei tesouros (que me aliviem ainda mais). Buscarei caminhos novos e encontrarei ancestrais cavalos marinhos. E pérolas, que não sairão mais de teu sexo, mas da mesma forma cairão pulsando em minha boca. Mergulhada. Encontro passados e futuros. Hipóteses. Absorta em meus sonhos. No angst. Sem esse arrepio que me persegue de leve. Lá: não entrarás. Quando decidir ver o céu: AR O sol batendo em minha costas quer me tornar pedra. O Sol de hoje é medusa. A Gongora. Sento-me num banco pétreo. Luto involuntariamente para não olhar nos olhos desse sol-medusa. Um cavalo de fogo é quase únicórnio dourado e cruza o infinitamente negro. Sua busca por nosso olhar é furiosa. Quase tão furioso quanto a fúria que há em mim. Que não é lâmina, é mais redonda. É de animal que se joga contra a àrvore do Canal do Leblon. Improviso, jazz de percussão. ela Leite com Açucar é o nome da tela que estive pintando. O branco, o que mais me interessa nesse minuto. Distraidamente me traio vendo a imagem refletida no monitor vazio. Susto, existo. Difícil mesmo está sendo controlar impulsos. Me sinto cansada e cheia de bobagens, digo,desejos, digo, vontades, digo, caprichos. Meu riso é suave, meu corpo frêmito. Incansável, não consigo parar depois que comecei isto. Sozinha, sem você. A tela branca. Há um mapa que desenho cada vez que vôo. As artérias da terra e seu sangue pulsando em direção ao oceano, mergulhada no céu. Nenhuma sensação mais plena que a do vôo. Nenhuma sensação. Ontem dancei e não se ouvia nada de coerente. Só a vida pulsando nos Rostos, que são corpos esquecidos. Hoje o dia foi de palavras coerentes e a vi pulsando nos Corpos, que são rostos esquecidos. eu Nao fui eu. Nem você. Acaso ou destino. Tragédia ou rotina. Teu abraço esfriou. Olhei para trás e havia tudo, na frente esse silêncio. Home-less despair ela (exclamação) Não foram muitos anos de vida, mas já tive que me despedir do meu pai, do meu avô, duas avós e uma tia querida. E se não bastasse, vivos, há amigos e amantes que se vão e não sei se voltam mais. eu as palavras me vêm soltas descombinadas tento em mudez descrevê-las justas, em papel, em tela, em desapego mas não consigo, percebo mansa, tudo me trai saudade e vazio, medo e força, tudo me confronta _poderia querer mudez mas as palavras, não conhecem o silêncio ela Rio de Janeiro, temperatura amena nestes dias de agosto. Na segunda ao invés de começar a semana, decidi recomeçar a vida. Fui com meus olhos vendados andar no terreno baldio que já me cortou os pés fui ouvindo vozes já ouvidas, tocando em corpos que tremiam e cujo cheiro meus poros reconhecem todavia bom dia! me chamo marie, me chamo luiza, carolina, me chamo giulia. me chamam marília. O escuro agora me protege prometo nunca mais desistir, nunca mais mudar de nome de homem de cheiro, prometo que serei constantemente uma andarilha e talvez não me mova geo-fisicamente, mas interiormente, como as minhas veias que são vias para o sangue ou o som dos passos que se confunde com outro tambor que não pára nunca nunca antes dela chegar. Este lugar aqui: jamais cheguei tão longe e nunca fui a lugar nenhum. Punto. eu willesden 10:00 a.m. [londres passando pela janela double glazed] Olha menina, é tua vida. Passeando distraída pelas Avenues estreitas. Repara como anda. Assim tão linda e recolhida, como que guardada de assaltos, de rompantes. Olha como ela passa... Virando pescoços de mistérios, olhando baixo, pensando alto, se achando em Ipanema, triste musa. Contradição tamanha. Ainda assim tão doce... quem vai nela encostar ? dar a chance de um diálogo mais profundo, mais interessado. Apenas silêncios músicas e tambores pulsando por dentro. Olha menina, vai lá a tua vida. Por favor, dê passagem. ela [rio de ressaca] O álcool revela e vela cadáveres de amigos. Acordo no meio da noite, quase 6, quase 5. Amizades explodem em bolhas de sabão. Vodka, tangerina e adoçante. Enfrento o dia com música, caminho entre as montanhas e a Lagoa, apanho o sol e sou catadora. From now on recolho pedaços nas ruas: imagens e sons. Peles e ossos também. É por que pretendo fazer meu próprio frankenstein. "O peso e a asa". Com minhas costas no chão percebo o peso dos meus líquidos, ossos e músculos. Descubro o peso da alma. Alma não é o que busca ascese, não tem cor e levita. Descubro que alma não é inodora e nem insípida. Minha alma possui peso e matéria e é habitante convicta de minhas células. Isto pode parecer contraditório para quem o corpo é apenas um instrumento, um invólucro ou uma capa. Pra mim não é mais. Encontrei algo sagrado no profanado corpo. eu Lá fora e seus mistérios. - Acordo dentro assustada sem saber onde estou, onde fiquei, o que larguei. Fragmentada acordo muda e a primeira palavra escapa em inglês > Esqueço a própria língua ? > Observo de perto o meu vocabulário, impensado modo de expressar. Eu e minhas piadas, minhas mil teorias, meus versos. Entendo que uma outra personalidade ainda engatinha sorrisos sinceros. - Acordo assustada ainda sem saber se vale a distância, a pena, a caneta e o coração. Ainda não sei as respostas. No entanto, a lucidez da pergunta têm cheiro e vertigem de casa ela Rio de Janeiro. "restei só na boca da gruta" De todos que se vão, ouço ruídos querendo cama-pátria aprendem a não ir, indo fiz minhas malas e as coloquei no corredor. Outro dia, no reflexo da janela da cozinha vi as pernas do meu homem refletidas de minha vida, voyer Abracadabra e ... .. ... ... ... e [deixo pra trás o quarto abafado bolhas vapor] definho na ascensão 118.4 F ... ... ... Me diz. ela eu |