Antinovela Assim como os espaços urbanos vêm sido desenhados para afetar nossos sentimentos - para conduzir nossas trajetórias, para nos colocar em um estado de espírito que nos conduza mais ao consumo do que ao lazer, mais à passividade do que ao ato crítico - seja através da arquitetura ou de um conhecimento especializado de como reagimos a estes espaços, o espaço público das TVs também está sendo tomado por (antigas e novas) estratégias de controle e consumo.

Nos subúrbios das grandes cidades brasileiras ou no interior do Amazonas, 89% da população brasileira está assistindo TV (fonte:IBGE). Temos no Brasil mais TVs do que geladeiras. Do índio ao político, todos assistimos à vida da classe média carioca, o drama da imigração paulista, a bravura dos sulistas, a malemolência das meninas do nordeste. A falta de diversidade de gênero, raça e classe na TV não é fenômeno novo ou apenas brasileiro, mas se confunde com as raízes coloniais e ditadoriais do país.

Como usar um testemunho cotidiano para resistir criativamente ao seu discurso? Através da criação de uma (anti/web) novela pretende-se reapropiar os sentidos e propósitos de uma narrativa coletiva, autônoma e diversificada, mostrando que a linguagem de uma área transitada criticamente pode ser decodificada e subvertida com a ajuda de experimentos cartográficos que promovam ativamente uma narrativa emocional e íntima, ao invés dos tradicionais clichês do gênero.

Pretendeu-se encorajar, através de entrevistas, que os jovens produzissem depoimentos e imagens em texto, áudio e vídeo para comunicar emoções, sentimentos, memórias e expectativas ao engajar com diferentes aspectos do cenário urbano que habitam: o projeto Caju, a casa, a rua, comércios, estações de trens etc. Ao moverem pela cidade, um mapa irá emergir que desenhará a psicogeografia de seu ambiente. Este será o cenário da novela.